Monday

REVIEWS

For my support to the bands I really worship, here are some of the reviews, written in Portuguese to the releases that deserve some respect (sorry about the english speakers, soon you can read it on paper):

Drudkh – Forgotten legends, Full-length (2003, Supernal Music)

A luz levanta-se no horizonte, num primeiro feixe luminoso. Corta o ar, torna as poeiras invisíveis numa dança peculiar, ao sabor do acaso, do inesperado e do imprevisto. Calculística, na maneira de se apresentar, este disco veio trazer ao mundo um novo panorama, uma nova paisagem, ora clara ora negra, ora forte ora fraca, cheia ou vazia, o aspecto pouco importa, a luz que se fez é inegável. Lançado em 2003, a Supernal Music, provavelmente, ainda não sabia bem o que tinha em mãos, mas soube cuidar bem do seu novo gérmino. Este album de 4 faixas de 39 minutos, à semelhança com o que acontece com os outros, não se sabe quando foi composto, mas apenas que foi gravado no Verão de 2002. Hate Forest e Astrofaes, outras bandas anteriormente criadas pelos fundadores de Drudkh, já tinham editado alguns álbuns e EPs, nomeadamente, “The most ancient ones” para a primeira citada e álbuns como “The eyes of the beast” para a segunda dita banda. Repare-se aqui que há uma inexistência (propositada?) de uma cassete demo ou de um EP, fazendo-nos consentir à partida a maturidade e confronto seco do que estava por vir. Genericamente, aqui vais poder encontrar um conjunto de temas daquele Metal Negro do qual tens poucas referências. Burzum e Primordial poderão ser elementos indicativos mas completamente desfasados da realidade. Tenham atenção, não é o estilo musical que é idêntico mas sim a sensação, o sentimento de nostalgia, a saudade, os valores culturais e a angústia que estão em causa e que, de uma maneira ímpar, estão ligados a uma sonoridade mais Negra. A composição em si é regular, até porque muitas das linhas melódicas se tornam mais fortes pela sua repetição e acento, pequenas variações e acrescentos, ao qual se a magia de uma aurora boreal numa noite regular se pode comparar a um estilo musical, eu diria que, a atracção neste estilo passa pela inclusão de uma atmosfera nostálgica e pessoal. Há uma clara representação da natureza na mensagem deste álbum, tanto na música como nas páginas do livrete, agarrada a uma arte manual de desenho em lápis de carvão. Cada imagem da natureza associa-se, claro, a um sentimento (escrito), aquele de que vos falei, que são, no fundo, sinónimos de culpa e consciência (para com a natureza?): Tristeza, Amargura, Dor, Desespero, Perda, Agonia, Solidão, Traição, Melancolia e Mágoa. Outra indicação da alusão à natureza são os desenhos em estilo que me parecem Sarmata, onde não só elementos como folhas, ramos, água e padrões alusivos de montanhas fazem a ornamentação estética do CD, mas como também cada figura tem um nome em cirílico (o nome dos meses do ano). Uma curiosidade, em relação ao logo, aqui na sua primeira versão, desenhada de uma forma invulgar, dando a ideia de uma escrita Sanskrit preenchida interiormente com um fundo de chão de floresta no Outono. Não é, eventualmente, um marco na música no ano de 2003, mas é com certeza, um marco na história do metal, tão simplesmente pelas reacções de ódio ou amor geradas pelas várias camadas de ouvintes e, claro está, pelo início de carreira de uma banda cujos cânticos dificilmente serão “lendas esquecidas”.


Blood...Fire...Wrath #1 (fanzine)

Em tempos de amargura, ignorância e bestialidade, inocência e/ou estupidez, não há nada melhor que uma valente chapada na cara, de mão forte e cheia, para acordar, despertar, ser chamado à razão, para te enquadrar melhor no caminho certo, no trilho anteriormente seguido, aquele que é o verdadeiro percurso a seguir. Aqui está a primeiríssima edição desta fanzine, Portuguesa, feita por mãos suadas e calejadas, mãos que gritam o sangue e a dor da dedicação, mãos que apertam o cerco da veracidade através de uma conceptualização agravada pelo espírito totalmente inerente ao Metal Negro, seguindo passo-a-passo uma ideologia que (e se me permitem dizer) é muito fiel à personalidade da entidade que a forjou: intolerante, rígido, culto, inteligente e determinado. Como alguns de vós devem saber, este documento é elaborado por Vercingétorix, o homem por detrás da editora Portuguesa Egg of Nihilism Productions e também, um valoroso colaborador/autor para os dois números anteriores desta mesma fanzine, que agora lês. No editorial, começa-se por ter um forte testemunho da posição do editor em relação ao conceito da fanzine e sua ligação com o Metal Negro. Explica, especificamente, situações controversas que ocorrem nos dias de hoje na cena, não só nacional como também internacional, ao que ele chamou de fun’erground. Apontamento positivo também para a explicação da foto que está na capa, coisa que nunca me ocorreu fazer (explicar o que significa), até porque a concepção é diferente. Se gostaste das entrevistas como a de Exile (Escritas do Subsolo, Tomo I), Vulturine e Decayed (Escritas do Subsolo, Tomo II) e/ou das biografias de Marquês de Sade e Lovecraft, tenho a certeza que, agora numa edição feita toda à sua medida, com entrevistas em Inglês, profundas e superiormente elaboradas, isto te vá parecer uma pérola do fundo do oceano! E é assim que, Blood...Fire...Wrath te cultiva com entrevistas a Wolfsbut, Infernal Kingdom, Nakkiga, Shaxul (Deathspell Omega, Arphaxat, etc), Ravendark’s Monarchal Cantile e Temnohor, de um modo entusiástico, bastante abrangente, conceptual e caracterizador, onde o autor mostra não só a sua sabedoria, como também a fraqueza de não saber mas com vontade de aprender. Um dos ex-libris desta edição, e talvez por ser Português, é o artigo em forma de teorema, O Império Ibérico, que, por um lado, vem fazer justiça àquilo que foi um passado glorioso dos Portugueses e, por outro lado, ensaiar uma ideia interessante de união Ibérica dos povos/nações que, ao longo da história, aí viveram e prosperaram. Atenção, que este artigo está escrito em duas línguas (Português e Inglês), onde a ideia principal é escrever um artigo que é dedicado à sua nação na sua língua materna, onde se pode exprimir de maneira distinta e natural. Obviamente, a versão em Inglês será para aqueles que não sabem Português. Em relação ao aspecto gráfico, ao contrário do que possas à partida pensar, este não é um cut’n paste, que apesar de "xeroxado", tem um aspecto simples mas eficaz e, sobretudo, legível!!! Esta fanzine, para mim tem um pequeno problema, é curta demais! :) Apenas 34 páginas fazem muita água na boca, de facto. Ora, tudo isto pode parecer suspeito pois, uma vez que sendo seu amigo poderia ser parcial (mas se tiveres dúvidas, podes consultar as críticas que fiz/faço aos lançamentos da ENP). Na verdade, mais digo, muito me orgulho de ser seu amigo e de ter o privilégio de ter lido, e apreciado calorosamente, estas páginas pois tu, já não sei se terás a mesma sorte uma vez que, além de ter uma distribuição muito selectiva (só para verdadeiros maníacos e aficcionados) é também de número limitado a 99 exemplares. Por isso, prova que és homem, de miolos, de convicção e faz um favor a ti próprio e contacta Vercingétorix (talvez tenhas sorte..): emperorsreturn@eggofnihilism.com; A/C Rui Amiguinho
Rua Conde Vimioso, Nº12, 4º Dto., 2660-353 Santo António dos Cavaleiros, Portugal


Vulturine – Ossos, Ódio & Angústia, Full-length (2008, Goat Music Records)

Anteriormente já tivemos a possibilidade de conhecer Vulturine através da brilhante entrevista publicada no número anterior ao presente, mas vale sempre a pena escrever um pouco sobre, o que eu considero, um dos melhores álbuns de Metal Negro proveniente do Brasil, nos últimos tempos. Em águas passadas, Vulturine mergulhou-nos em duas Demos e um EP, introduzindo a sujidade humana em águas turvas, malcheirosas, imundas, execráveis, insuportáveis, tão só comparáveis aos dejectos laterais de uma raça em vias de ruir. A esperança é a última a morrer, sendo que, a morte já está nas tuas costas, também ela já morreu. A Humanidade é o fim. A morte, o princípio, estampada na alma de cada (ainda) ser vivo, a ironia de viver e saber que se está morto, enterrando os próprios ossos na angústia de prevalecer. O abutre chegou, vais poder saborear a morte, a foice na garganta, e ela a ti, devorando-se o apetite doentio da orgânica temporal. É um frenesim, uma simbiose cumulativa, fatal e inevitável. O javardo enoja-se, a larva também, estás podre. Nem como pó és servente e encontras-te num espaço indefinido, vazio, não és nada nem ninguém. Mas talvez, nem tão pouco nada, porque ainda assim terias sido alguma coisa, e tão quanto ninguém porque também nunca exististe. O esquecimento e a ignorância tomaram conta de ti. Se conseguires entender a insignificância (miserabilismo) da tua vida, vais delirar em pleno com a variância, pulso macabro e originalidade de um conceito feito realidade. É um álbum de estreia que dificilmente pode ser batido, e se estes senhores do Brasil se atreverem a fazer melhor, então é caso para dizer que estamos perante uma ameaça séria de qualidade, eloquência, eficiência e extremidade musical. Um bónus além das dez ceifadas incluídas está uma adaga escondida no rematar do álbum, uma cover de Master’s Hammer (“Geniove”) que assim, mais uma vez, tornou este mundo num sítio pior para se viver. E mais não digo!
www.goatmusicrec.com.br
info@goatmusicrec.com.br


Toreva – Skryte brany do neznamych svetov…, Demo (2008, Krologh Productions)

Aposto em como nunca ouviste falar desta banda anteriormente. Naturalmente que, assim, também é difícil antever de que país são provenientes e que género musical praticam. Pois é meu amigo, antes de receber esta cassete em casa, juntamente com o último álbum de Remmirath, “Polis Rouge”, de facto, eu também não tinha conhecimento de Toreva. E sim, são da Eslováquia, da terra dos Altos Tatras, dos Fatras e dos Matras, montanhas que pertencem à fabulosa cadeia dos Cárpatos, na região mais a norte. Se há país onde a natureza e beleza natural, crua, virgem e robusta de uma floresta de imponentes montanhas pode influenciar e moldar a sonoridade de uma banda, esse país então é a Eslováquia. É impressionante, e a surpresa da qualidade da arte por eles criada deixa-me completamente bloqueado, estupefacto. Estupidificado. Musicalmente os Toreva são a paisagem e a cor da noite Eslovaca, representando todo o bruto selvagem de um ambiente virgem, intocado e embelezado por uma mística só deles. Encarnam na pele o cheiro de folhagens soltas no ar, a terra batida da chuva e o orvalho matinal. Imagina um quadro pintado entre o EP de Astrofaes “Shu-Nun” e o álbum de Drudkh “Forgotten Legends” essencialmente para os temas “Clovek a hora” e “Vad velikána” do lado A da cassete, onde te dão o gosto por cerca de 22 minutos, apenas para esta duas faixas. E como cada canto de uma montanha tem novas surpresas, o lado B guarda-te a intensidade de um trovão, vertiginoso, implacável, bem mais a um estilo próprio enigmático por sua vez, com lembranças dos seus conterrâneos Remmirath, em partes melódicas contra-balançando o tremor provocado pelo restante acto. Definitivamente, os traços tornam-se ainda mais claros com o último cume, onde a descida a terras mais baixas se dá de uma maneira instrumentalista, delirante e perfeita. Os homens atrás deste 1º movimento são P.L. nos instrumentos e Beelphegor (Hromovlad, Immortal Hammer) dando a voz a um dos mais bem guardados tesouros musicais vindos de Bratislava. O único senão é mesmo serem só 4 músicas mas que, ainda assim te vão fazer arrepiar pêlos em sítios que nem imaginavas ter! Para mim, pelo menos, é um item fundamental. Só espero que algo mais seja lançado em breve, pois mal posso esperar por lhe meter as mãos em cima! Krologh_prod@pobox.sk

Amnion – Cryptic Wanderings, Full-length (2009, Onirik Records)

Eu não quero admitir, não de uma maneira invejosa, ignóbil, descaracterizada, que Espanha, o meu país vizinho, irmãos Ibéricos, também alguns Lusitanos (!), sim porque a Lusitânia não foi só a terra entre o Douro e o Tejo, a oeste do Ebro, mas também boa parte a leste dos Montes Hermínios, estão a desabrochar rosas negras, com pétalas reluzentes de aço cortante, uma espécie já em vias de extinção, originária das terras frias do norte, onde os homens outroram usavam os seus capacetes cornudos, desconfortáveis mas simbólicos, pois de símbolos vive o mundo, e Amnion não foge à regra. “Cryptic Wanderings” é, para já, um album de estreia. É também a consumação de um acto deliberado de atitude à desolação, desprezo pela vida, um ópus à escuridão maldita, às forças negras da natureza, um eclipse infernal. Desde que tudo tem um princípio e um fim, assim o tem a arte musical destes artistas já de outras andanças experientes, batalhadora, verdadeiros músicos de black metal. Não fossem eles elementos dos conhecidos Empty, Korgull the Exterminator e Atman, que tal como qualquer artista de valor, nem que seja uma concubina, se faz dar largas à criatividade, para exteriorizar de uma outra (brilhante) maneira o que mais e melhor fazem, arte. Traços variados, cru quanto basta, poder de reciclagem de estilos, sentimento, muito sentimento, tocado de forma simples mas eficaz e poderosa (assim se vê o artista) fazendo com que te agarres à terra como raizes de pinheiro em noites frias de inverno. As rosas ainda agora começaram a crescer, mas esperem só, que os espinhos ainda estão por vir...www.onirik-distro.com